Versão em Português do texto "No Witness—Hopefully!"
Há momentos na vida para os quais ninguém nos prepara.
Não para a perda dos pais. Não para a aposentadoria. Não para virar avó. Não para deixar escapar um pipizinho quando a gente ri. E muito menos para cair da própria cama!
Lá estava eu, estatelada no chão, sem a menor elegância, numa madrugada daquelas, olhando em volta no escuro e tentando reconstruir rapidamente a série de eventos infelizes que me levara àquele pouso tão indigno.
O meu primeiro pensamento não foi: Será que me machuquei?
E também não foi: Como é que eu vou me levantar daqui? Contudo, creio que esse pensamento me passou pela mente numa velocidade relâmpago.
Mas não.
O primeiro pensamento foi: Será que alguém viu isso?
Silêncio.
Foi até engraçado o alívio que senti quando minha pergunta mental foi recebida por aquele silêncio absoluto.
Ainda bem que a gata não está aqui para me julgar.
Na minha mente — sempre visualmente ativa — imaginei a minha gata parada de pé à porta do quarto, encostada no marco da porta, talvez fumando um charuto, e a outra pata na cintura, balançando a cabeça, olhando para mim com aquela expressão de quem pensa: "E eu confio nessa humana para me alimentar?"
Ela julga, minha pequena rainha. Sim. É um pouco desdenhosa, eu diria, mas muito carinhosa.
Enfim, estou divagando.
Durante tudo isso, eu ainda estava no chão. Um pé continuava em cima da cama, preso no lençol enrolado nele. A outra estava esparramada no chão — eu não faria uma pose dessas nem no ginecologista! — enquanto eu me apoiava no cotovelo esquerdo e agitava o braço direito no escuro, tentando agarrar a beirada do meu colchão absurdamente alto para conseguir me puxar de volta.
Será que estou sendo filmada? Uma comédia de erros, talvez?
Em momentos assim, a gente percebe que todos nós temos essas experiências ridículas que ninguém testemunha — ou, pelo menos, esperamos desesperadamente que ninguém tenha testemunhado. Nem mesmo a gata.
Aquele momento em que tropeçamos em absolutamente nada.
Aquela conversa secreta com a geladeira.
O sorriso e o aceno entusiasmado para alguém na rua... que não estava acenando para você.
Ou quando falamos sozinhos enquanto procuramos os óculos de leitura… até perceber, de repente, que eles estão na nossa cabeça.
Pequenos momentos privados e triviais que nos lembram que, por trás de todo adulto composto e competente, existe alguém simplesmente improvisando — ou talvez alguém que perdeu a grande chance de ser um comediante.
Você deve estar se perguntando como eu consegui me levantar.
Eu não sou exatamente leve como uma pluma, sendo assim, não era possível simplesmente saltar de pé como uma ginasta graciosa. Em vez disso, eu parecia uma preguiça desgrenhada se torcendo lentamente, tentando descobrir qual parte do corpo poderia ser convencida a colaborar primeiro.
Finalmente, consegui — língua para fora, suando, o cabelo tão embaraçado que parecia uma enorme teia de aranha pousada na minha cabeça — apoiando-me na mesinha de cabeceira e tateando no escuro até encontrar o interruptor do abajur.
Finalmente...
Que haja luz; e houve luz!
Deus, me perdoe pela alusão ao Seu primeiro dia da Criação.
Enfim, olhei em volta, ainda envergonhada, e então me recompus.
Naturalmente, voltar a dormir exigiu muitas viradas e rebuliço, de um lado para o outro. E, justo quando eu finalmente começava a me acomodar, senti aquela pressão familiar—
Sério? Eu tenho que fazer pipi?
Resmungando alguns palavrões pouco compatíveis com esta ilustre professora aposentada, me levantei de novo para resolver o assunto.
Essa é outra coisa que a gente dá como certa quando é jovem: passar horas sem precisar fazer pipi. Dançar a noite inteira numa boate. Viajar. Pular. Correr por aí sem planejar com antecedência cada parada para ir ao banheiro.
Rir a doidado e nem uma gota.
Uma maravilha!
Bom, a menos que você esteja grávida. Nesse caso, está perdoada.
Cair da cama...
Quem diria?
Talvez uma das pequenas misericórdias da vida seja justamente esta: nossos momentos mais indignos costumam acontecer sem platéia — nem mesmo a gatinha. Esses momentos nos lembram de não nos levarmos tão a sério e que, com um pouco de sorte, a única testemunha dos nossos tropeços será a nossa própria gargalhada.

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